sexta-feira, 13 de março de 2026

História: A Telefonia, ao completar 150 anos de existencia, vê o Acesso à Internet roubar-lhe a cena



Acesso à internet rouba a cena nos 150 anos da Telefonia

Dados da Anatel apontam as transformações do consumo no setor, com banda larga fixa como produto mais utilizado, seguido pelo móvel, e telefonia fixa em retração.

A banda larga fixa consolidou sua dianteira sobre a telefonia fixa no Brasil e hoje ocupa posição central na infraestrutura residencial de telecomunicações. Em um mercado que deixou de girar em torno da voz para se estruturar sobre serviços baseados em dados, o país segue com crescimento nos acessos das novas tecnologias, enquanto a telefonia tradicional segue em queda.

Segundo a Anatel, a banda larga fixa opera com 54.429.216 de acessos, um crescimento de cerca de 65% nos últimos 6 anos.


Ao mesmo tempo, a telefonia fixa sofreu uma queda de aproximadamente 39,7% no mesmo período, indo de 33.121.839 para 19.982.768 assinantes.


A telefonia móvel, por sua vez, segue em crescimento e soma 270.743.556 de acessos, 19,5% superior quando comparado no mesmo período anterior.

Essa mudança de perfil do setor ganha um simbolismo adicional nesta terça-feira, dia 10, quando relembramos os 150 anos da primeira ligação telefônica registrada no mundo. Em 10 de março de 1876, Alexander Graham Bell chamou seu assistente Thomas Watson de outro cômodo da casa, em Boston, no episódio que passou a ser tratado como marco inaugural da telefonia.

Poucos meses depois, Dom Pedro II experimentou a invenção em uma exposição na Filadélfia e, em 1877, um dos primeiros telefones do país foi instalado no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.

De patrimônio escasso a serviço em retração

A telefonia fixa levou mais de um século para se disseminar no Brasil. Durante décadas, possuir uma linha telefônica era privilégio de poucos, com filas de espera que podiam durar anos. O serviço chegou a ser tratado como ativo patrimonial, inclusive declarado no Imposto de Renda. Em 1980, com cerca de 121 milhões de habitantes, o Brasil tinha apenas 4,8 milhões de linhas telefônicas, o que evidencia a baixa densidade do serviço naquele período.

Esse quadro começou a mudar com a Lei Geral de Telecomunicações, de 1997, que reformulou o setor, abriu o mercado à concorrência e possibilitou a criação da Anatel. A agência passou a atuar como reguladora e fiscalizadora, em substituição ao antigo modelo em que o Estado era o provedor direto do serviço. A nova estrutura foi acompanhada por instrumentos de universalização, como o Fust, e por um processo de expansão da infraestrutura de telecomunicações.

Internet como base da conectividade

O deslocamento da telefonia fixa para a banda larga e para os serviços móveis reflete uma mudança mais ampla no papel das redes. A Anatel diz que o desafio atual já não se resume à instalação de linhas telefônicas, mas à ampliação do acesso a serviços digitais em uma economia cada vez mais dependente de conectividade. A missão regulatória passou a envolver não apenas voz, mas também acesso a aplicações, plataformas e serviços digitais em diferentes camadas da infraestrutura.

No balanço setorial, a transformação é clara: se o telefone fixo marcou a expansão das comunicações no século passado, a conectividade digital passou a orientar os investimentos, a competição e a prestação de serviços no mercado brasileiro de telecomunicações.

Fonte: TeleSíntese (10/03/2026)

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