Superávit aconteceu mesmo com o pagamento recorde de R$ 17 bilhões em benefícios a mais de 100 mil aposentados e pensionistas
A Previ, caixa de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, teve superávit de R$ 15,7 bilhões no ano passado no Plano 1, o mais antigo da entidade. Com isso, fechou 2025 com superávit acumulado de R$ 12,5 bilhões, revertendo o déficit de R$ 3,2 bilhões existente até 2024.
O superávit aconteceu mesmo com o pagamento recorde de R$ 17 bilhões em benefícios a mais de 100 mil aposentados e pensionistas e o fundo de pensão destacou que 98% da folha de pagamento foi coberta apenas com os rendimentos e contribuições, sem a necessidade de consumir a carteira dos investimentos. Foram R$ 16,6 bilhões obtidos com entrada de recursos, sendo R$ 4,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio; R$ 8,1 bilhões em juros e cupons; R$ 900 milhões em aluguéis; e R$ 3,3 bilhões em contribuições dos participantes.
O resultado positivo de R$ 12,5 bilhões ao fim do ano foi obtido graças aos R$ 35,5 bilhões obtidos como consequência dos investimentos, somado a R$ 3,3 bilhões de contribuições. Esse total foi subtraído dos R$ 3,2 bilhões do déficit acumulado até o fim de 2024, além dos R$ 17 bilhões pagos em benefícios e outros R$ 6 bilhões em provisões e outras despesas.
"Em 2025 tivermos recuperação bastante significativa", disse o presidente da Previ, Márcio Chiumento, lembrando que em 2024 as contas do fundo de pensão sofreram os efeitos do desempenho ruim da renda variável.
Adriana Chagastelles, diretora de participações da Previ, ressaltou que a possibilidade de haver um equacionamento — quando o patrocinador e participantes são obrigados a aportar recursos para sanear o fundo — é de 0,03% até 2032. A Previ, fundada em 1904, nunca precisou fazer um equacionamento e Chagastelles ressaltou que o percentual verificado ao fim deste ano é o menor da história do fundo. "Isso demonstra a segurança de que o plano está saudável e tem caixa suficiente", afirmou a diretora, lembrando que, atualmente, um equacionamento na Previ só aconteceria se o déficit acumulado chegasse a R$ 22 bilhões.
O Plano 1, que possuía no ano passado 102,7 mil aposentados e pensionistas e fechou a possibilidade de entrada de novos participantes em 1998, fechou o ano passado com uma rentabilidade de 16,8%, acima da meta atuarial de 8,8%, que considera INPC +4,75%. O Plano 1 tem ativos que totalizam R$ 258,2 bilhões, sendo R$ 168,7 bilhões, ou 69,3% do total em renda fixa, enquanto R$ 53,6 bilhões estão em renda variável e R$ 21,8 bilhões, ou 8,7% do total, estão alocados em investimentos imobiliários, financiamentos, fundos estruturados ou no exterior. O restante de recursos está na Carteira de Pecúlios (Capec), no Plano de Gestão Administrativa (PGA) e no Plano Família. O Plano 1 tem ainda 2,7 mil participantes ativos.
Dentro do Plano 1, a renda fixa rendeu 10,6% no ano passado, enquanto a renda variável trouxe ganhos de 39,6%, o imobiliário subiu 5,1%, os financiamentos trouxeram ganhos de 9,4%, as aplicações no exterior e os fundos estruturados renderam juntos 1,6%.
O plano Previ Futuro, único aberto para a entrada de novos participantes, fechou 2025 com R$ 42,1 bilhões em ativo. Desse total, R$ 28,3 bilhões estavam em renda fixa, ou 67,2% do total; R$ 5,5 bilhões, ou 13,1% do total, em renda variável; e R$ 8,3 bilhões, ou 19,7% do total, em outras alocações. Entre essas outras alocações, R$ 1,7 bilhões estão em imóveis, R$ 4,2 bilhões em empréstimos, R$ 1 bilhão no exterior, R$ 700 milhões em fundos estruturados e R$ 700 milhões em fundos previdenciais.
A rentabilidade do Previ Futuro no ano passado foi de 16,1%, sendo 14,4% na renda fixa, 35% na renda variável, 12,7% nos imóveis, 9,7% nos empréstimos, 5,7% no exterior e 10,4% nos fundos estruturados. O Previ Futuro tem 5.5 mil aposentados e pensionistas e 80,6 mil participantes ativos. O Previ Futuro tem meta de referência de INPC+4,62%, que no ano passado foi de 8,7%.
O diretor de investimentos da Previ, Cláudio Gonçalves, acrescentou que, no ano passado, o fundo vendeu R$ 21 bilhões em participações acionárias em 12 empresas, com destaque para Neoenergia, com venda de cerca de R$ 12 bilhões, e BRF, com desinvestimento de R$ 2,4 bilhões. "Entendemos que, nessas 12 empresas, tínhamos espaço para realizarmos um lucro relevante", disse Gonçalves.
Mesmo com as vendas, a Previ mantém participação relevante em empresas importantes, como Petrobras, Vale e Vibra. Adriana Chagastelles destacou que o fundo vai indicar este ano candidatos para 33 assentos em conselhos de 14 empresas investidas. Desses 33 assentos, 7 são de conselhos de administração e 26 para conselhos fiscais.
Apesar de ainda possuir fatia de 22% da carteira de ativos em renda variável, a Previ vem diminuindo de forma relevante essa participação. A renda variável respondia por 59% da carteira da entidade em 2012, passando para 45% em 2020 e 22% no ano passado. Em sentido contrário, a renda fixa saltou de 32% em 2012 para 45% em 2020 e 70% em 2025. Outras alocações eram de 9% em 2012, passaram para 10% em 2020 e recuaram para 8% em 2025.
Para este ano, Gonçalves afirma que é difícil prever como se comportarão os ativos depois do início do conflito no Oriente Médio. Ele lembra que, antes dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, o fluxo de investidores estrangeiros na B3 estava "vindo forte" e o Ibovespa chegou a 190 mil pontos, com expectativa de atingir 220 mil pontos este ano. "[A guerra] Trouxe volatilidade para o mercado, com reflexos no preço de petróleo. Está uma montanha-russa. Estamos em compasso de espera", disse, ressaltando que a Previ tem ativos de qualidade e que, mesmo com a guerra no Oriente Médio, não há motivo para "sair na correria". "Temos zero necessidade de fazer movimentos que não sejam muito bem pensados.”
Fonte: Valor (13/03/2026)
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