sexta-feira, 6 de março de 2026

TIC: Fundos do BTG Pactual fazem proposta única por fatia da Oi na V.tal e abaixo do mínimo necessário

 


Será efetuado novo leilão para venda da fatia da Oi na V.tal, também controlada pelo BTG

Como esperado, fundos geridos pelo BTG Pactual efetuaram proposta única pela fatia de 27,26% da Oi na operadora de infraestrutura V.tal. A abertura da proposta ocorreu em audiência judicial para venda do ativo realizada nesta quinta-feira, 5.

Os valores oferecidos estão em segredo de Justiça, mas ficaram abaixo do preço mínimo de R$ 12,3 bilhões definido para o processo. Agora, caberá aos credores da Oi deliberarem sobre o tema.

Com o cenário, o processo de alienação das ações foi suspenso e uma nova audiência foi marcada para 30 de março pela 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que supervisiona o processo de recuperação judicial da Oi.

Os fundos geridos pelo BTG Pactual já controlam a V.tal. Em fevereiro, TELETIME apontou que o grupo deveria ser o único interessado na fatia minoritária da Oi na empresa de infraestrutura.

Pelos termos do plano de recuperação judicial da Oi aprovado em 2024, propostas abaixo do valor mínimo devem passar pelo crivo dos Credores Opção de Reestruturação I da tele, grupo representado pelo UMB Bank e que inclui a gestora Pimco. Tais direitos políticos e deliberativos têm sido inclusive razão de controvérsia entre as partes.

Posições

Na audiência desta quinta, a administração judicial da Oi opinou que a proposta dos fundos ligados ao BTG preenche requisitos objetivos esperados. Um dos administradores da companhia é o advogado Bruno Rezende, da Preserva-Ação, que acumula função de gestor judicial da tele.

Já o UMB Bank, que representa os credores, defendeu que a Oi não poderá ter direito de veto sobre a deliberação tomada pelo grupo, tampouco de impor aos credores a aceitação de propostas inferiores ao preço mínimo pela fatia da V.tal. 

Em fevereiro, a Oi moveu uma ação de responsabilidade contra o grupo de credores, que também exerceu papel de acionistas da tele entre 2024 e 2025. Um dos pleitos era justamente que o direito de deliberação dos bondholders sobre propostas pela fatia na V.tal fosse suspenso, algo que não foi acatado pela Justiça.

Na audiência desta quinta, o grupo de credores também manifestou esperança de que ainda haja alguma oferta concreta que possa resultar em benefício econômico superior ao valor proposto na proposta única. 

Já os fundos geridos pelo BTG Pactual sinalizaram que, caso haja alteração das regras do edital, inclusive para admissão de propostas fora do prazo e condições previstos, eles poderiam alterar ou retirar a proposta já apresentada.

A juíza Simone Gastesi Chevrand determinou sigilo das informações sobre valores oferecidos, sob a pena de responsabilizações cíveis e criminais. O Ministério Público foi favorável ao procedimento, classificando-o como praxe em audiências do tipo para  "preservar o sigilo com relação às propostas até o momento de eventual aprovação".

Watchdog

Também nesta quinta-feira, a 7ª Vara Empresarial restabeleceu o advogado Adriano Machado como observador judicial (watchdog) do processo de recuperação judicial da Oi. 

Machado ocupou o posto em 2025, mas foi dispensado no momento da decretação da falência (depois revertida) da operadora. O profissional participou da audiência para abertura de propostas realizada nesta tarde. 

Segundo a juíza Simone Gastesi Chevrand, a volta do watchdog busca conferir maior segurança ao processo. O observador "deverá participar de todos os atos empreendidos e sobre ele se manifestar, com a isenção que dele se requer", indica decisão da magistrada.

"A atuação do watchdog em momento de tamanho dinamismo, com realização de diversos atos de alienação, principalmente, que refletem grande impacto no curso deste processo e, via de consequência, em direitos de enormidade de interessados, confere segurança e transparência ao feito", alega Chevrand.

A Oi teve administração afastada pela Justiça no final de setembro de 2025, sendo administrada desde então pelo gestor judicial Bruno Rezende.

Fonte: Teletime (05/03/2026)

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