segunda-feira, 9 de março de 2026

Comportamento: Telas fazem com que novas gerações tornem-se cada vez mais burras (QI menor)

 


Por um século inteiro, a curva de QI da humanidade só subiu. Até que não apenas parou de subir como passou a decrescer

A maioria das pessoas vai ler esse artigo e não vai fazer nada. 

Vão até concordar e sentir o peso e a responsabilidade daquilo que escrevo por um instante, mas depois vão abrir o Instagram ou o TikTok. 

Isso não é fraqueza. É o produto funcionando exatamente como foi projetado. Ainda assim vamos aos fatos. 

Pela primeira vez na história da humanidade, as novas gerações são mais burras que as anteriores. E, infelizmente, não é a minha opinião. Trata-se de fato comprovado em testes feitos em mais de 730 mil pessoas. 

Para que você entenda melhor, vou te contar a história desde o começo. 

Em 1984, um filósofo chamado James Flynn analisou décadas de testes de QI e descobriu que a humanidade ficava progressivamente mais inteligente ao longo do tempo, ganhando três pontos de QI a mais em média por década. A cada geração, filhos mais espertos que os pais. 

O chamado “Flynn Effect” também comprovou que isso não acontecia por uma questão genética, e sim por uma questão de mudança de ambiente. Uma melhor nutrição, os avanços nas metodologias de ensino nas escolas e um mundo mais complexo aumentavam a cognição e tornavam as gerações seguintes mais inteligentes que as anteriores. 

Por um século inteiro, a curva de QI da humanidade só subiu. Até que não apenas parou de subir como passou a decrescer. 

Em 2024, o psicólogo Lars Dehli atualizou os dados analisados por Flynn e mostrou que a curva começou a se inverter por volta de 2010. E sabe por quê? Com a explosão dos smartphones, 2010 foi o ano em que as telas começaram a se tornar extensão do nosso corpo. 

Recentemente, li a excelente obra “Capitalismo da Atenção”, de Chris Hayes. É leitura obrigatória e de utilidade pública. O autor não apenas explica por que estamos ficando mais burros como propõe também soluções. 

Atenção não é apenas um recurso humano limitado. É o substrato de tudo o que somos. Tudo aquilo a que você dá atenção, você se torna. Seus pensamentos, suas ideias, sua capacidade de resolver problemas, de ter uma conversa profunda, de criar algo do zero - tudo isso roda em cima de atenção. Quando você a entrega, não está apenas perdendo tempo. Está perdendo a si mesmo. 

As plataformas de mídias sociais são negócios que vendem a nossa atenção para anunciantes do mundo todo. Quando precisam faturar mais, o que fazem? Contratam os melhores cientistas do mundo para programar algoritmos que aumentam o nosso tempo de tela e, por consequência, vendem mais anúncios. 

Como o faturamento precisa crescer todos os anos e não existe nenhuma regulação para este “mercado da atenção”, a longo prazo pode-se dizer que o que começou com a nossa atenção terminará com tudo aquilo que somos e pensamos. 

Após a Revolução Industrial, a humanidade chegou a um equilíbrio razoável: 8 horas para dormir, 8 horas para trabalhar e 8 horas para se divertir e viver a vida. Pois bem: para além do tempo de sono e de trabalho, a média de tempo de tela de uma pessoa hoje é de 7 horas por dia. No Brasil, absurdas 9 horas. As telas já são donas do nosso tempo de vida. 

A minha geração e as anteriores tiveram a oportunidade de ler livros, ir ao cinema, esperar para ver um determinado programa televisivo que só passava em um horário fixo. Ou seja, temos alguma reserva de QI e de QE. 

E os nossos filhos e netos? Eles desconhecem o valor do ócio e do momento presente. Nasceram e estão crescendo trancados em seus quartos, alienados pelas telas. Não existe preço para o que estamos entregando gratuitamente para as plataformas digitais. E isso fica claro quando os próprios fundadores e CEOs dessas plataformas proíbem seus filhos de utilizá-las. Eles construíram o produto. Sabem exatamente o que ele faz. E não querem para os seus. 

]Da mesma forma que o ambiente nos fez progressivamente mais inteligentes até 2010, é imperativo que mudemos de ambiente o mais rápido possível. 

A solução não é força de vontade. É decisão. Decida que tipo de mente quer construir - e o ambiente se torna óbvio. 

Um livro em vez de um “reel”. Uma conta de cabeça em vez do GPT. Uma conversa longa em vez do “scroll” infinito. A família toda assistindo um filme no cinema ou na sala de TV, ao invés de cada um em seu quarto no TikTok. Celulares fora do quarto e fora da mesa de almoço e jantar. 

De um lado, a cada dia as plataformas digitais nos tornam mais burros e alienados. Do outro, essas mesmas plataformas e seus modelos de inteligência artificial se tornam progressivamente mais inteligentes e autônomos. 

Pense nisso por um momento. Enquanto a sua capacidade de pensar diminui, a capacidade das máquinas cresce. E as duas curvas se cruzarão em algum ponto. 

Não precisa ser muito inteligente para entender que isso não vai terminar bem. 

Isso é um aviso ou uma oportunidade. Depende do que você faz a seguir. Leiam “Capitalismo da Atenção”. Com urgência. 

Fonte: Rony Meisler e Valor (03/03/2026)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"Este blog não se responsabiliza pelos comentários emitidos pelos leitores, mesmo anônimos, e DESTACAMOS que os IPs de origem dos possíveis comentários OFENSIVOS ficam disponíveis nos servidores do Google/ Blogger para eventuais demandas judiciais ou policiais".