Empresas globais apresentam agentes de IA capazes de operar redes, negociar serviços e automatizar decisões sem intervenção humana
A IA agêntica figura entre os principais temas do Mobile World Congress 2026 (MWC), em Barcelona, com muitas empresas apresentando aplicações voltadas à operação de redes, automação de processos e prestação de serviços digitais. A tecnologia combina modelos capazes de analisar dados, planejar ações e executar tarefas de forma contínua, ampliando o escopo da IA além de assistentes e sistemas preditivos.
A organização do evento destaca a convergência entre conectividade e inteligência como um dos eixos desta edição, com foco em infraestruturas que utilizam automação avançada para gerenciamento de capacidade, qualidade de serviço e eficiência operacional. Nesse contexto, fornecedores de tecnologia apresentam soluções que integram IA diretamente aos elementos da rede.
Empresas como Ericsson, Nokia e Huawei exibem plataformas de redes autônomas baseadas em agentes inteligentes. Essas soluções permitem definir parâmetros de desempenho e políticas operacionais que são aplicados automaticamente pelos sistemas, com monitoramento contínuo e ajustes em tempo real.
No mercado brasileiro, operadoras como Vivo, Claro e TIM Brasil já utilizam automação e analytics na gestão de redes, o que pode facilitar a adoção gradual de tecnologias baseadas em agentes. O país apresenta uma combinação de áreas urbanas densas e regiões extensas de cobertura, cenário que costuma demandar ferramentas de otimização contínua.
Redes orientadas por intenção e evolução para o 6G
Demonstrações no congresso incluem sistemas capazes de interpretar objetivos operacionais descritos em linguagem natural e convertê-los em configurações técnicas. Essa abordagem, conhecida como redes orientadas por intenção, permite automatizar tarefas como priorização de tráfego, alocação de recursos e resposta a eventos de rede.
Fabricantes indicam que essa lógica deverá integrar futuras arquiteturas 6G, incluindo gerenciamento dinâmico de slicing, latência e consumo energético. O desenvolvimento dessas tecnologias ocorre em paralelo a iniciativas internacionais de padronização das próximas gerações de conectividade móvel.
Empresas que apresentaram novidades são:
- GSMA — Promove o Agentic AI Summit, reunindo líderes da indústria para debater os pilares da adoção de IA agêntica em telecom (autonomia de rede, monetização, segurança e governança).
- SoftBank Corp. – Demonstração de Agentic AI-RAN (AgentRAN) com Large Telecom Model capaz de traduzir comandos em linguagem natural em configurações automáticas de rede 5G e futuras arquiteturas 6G.
- Nokia – apresenta soluções de rede IA-native com automação e inteligência integrada para operar e otimizar infraestrutura de conectividade.
- Huawei – Apresentação da Agentic Communication Network (ACN), arquitetura voltada à comunicação e coordenação entre agentes de IA na infraestrutura de rede.
- ZTE – Estratégia de AI Agentic Connectivity, com foco em redes autônomas e infraestrutura inteligente orientada por agentes.
- Samsung Electronics – Demonstração da CognitiV Network Operations Suite, incluindo “Agent Fabric” para coordenação de múltiplos agentes na operação de rede.
- NEC Corporation – Operações autônomas de rede com IA agêntica, em colaboração com AWS, voltadas à automação de design e manutenção de redes 5G.
- SK Telecom – Estratégia “AI Native” aplicada à evolução da infraestrutura e preparação para redes futuras.
- AT&T — Seus executivos participam de sessões que exploram redes autônomas e a operacionalização de IA em escala telco.
- China Mobile — Cientista-chefe em discussão sobre o desenvolvimento de ecossistemas de IA autônoma na indústria de telecom.
Agentes digitais como novos elementos do tráfego
Painéis do MWC também discutem a atuação de agentes de IA como entidades digitais capazes de interagir com sistemas e serviços de telecomunicações. Entre os cenários apresentados estão aplicações corporativas, automação industrial e integração com plataformas digitais.
Algumas das empresas que trouxeram soluções focadas nesse tipo de agente:
- Huawei – ACN prevê comunicação estruturada entre agentes de IA, com identidade e gestão de sessões colaborativas.
- SoftBank Corp. – AgentRAN propõe redes capazes de interpretar e executar decisões autônomas baseadas em agentes especializados.
- ZTE – Conceito de conectividade orientada a agentes dentro da infraestrutura inteligente.
- IQSTEL Inc. – Serviços de agentes de IA com arquitetura de segurança incorporada para ambientes corporativos e telecom.
Esses sistemas podem executar tarefas em nome de usuários ou organizações, incluindo monitoramento, análise e tomada de decisão automatizada, o que tende a alterar o perfil de tráfego e uso das redes ao longo do tempo.
Automação de atendimento e operações
Fornecedores de software e computação em nuvem, como Microsoft e Google Cloud, apresentam ferramentas para desenvolvimento de agentes corporativos integrados a sistemas de gestão e canais digitais. No setor de telecomunicações, essas plataformas podem ser aplicadas a atendimento ao cliente, suporte técnico e operações internas.
Algumas das empresas que mostraram inovações no segmento:
- Microsoft – Frameworks para criação de agentes corporativos integrados a sistemas empresariais.
- Google Cloud – Infraestrutura para desenvolvimento de agentes corporativos aplicados a operações e atendimento.
- Amdocs – Solução de contact center telco com IA agêntica, em parceria com Google Cloud, utilizando Gemini Enterprise para automação de atendimento.
- NEC Corporation – Automação de design e manutenção de redes com IA agêntica.
- SoundHound AI – Lançamento do Sales Assist Agent, agente de IA em tempo real voltado ao varejo e suporte de vendas.
No Brasil, onde as operadoras mantêm estruturas amplas de atendimento remoto, a automação baseada em IA é frequentemente citada por executivos do setor como ferramenta para ganho de eficiência e redução de tempo de resposta, embora a adoção dependa de requisitos de qualidade e supervisão humana.
Fonte: TeleSíntese (05/03/2026)
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