Especialistas apontam adoção mais madura pelas operadoras e processamento na borda como caminho para reduzir custos
A inteligência artificial começa a deixar os projetos-piloto e a ocupar funções ligadas à operação das redes de telecomunicações. Durante o Conecta Latam, realizado no Rio de Janeiro na última semana, operadoras, fornecedores e analistas discutiram como aplicar a tecnologia para automatizar processos, reduzir despesas e transformar os investimentos em 5G, fibra óptica e infraestrutura digital em novas fontes de receita.
Os debates mostraram que o uso da IA no setor já vai além dos sistemas de atendimento ao cliente. As aplicações começam a alcançar a gestão das redes, a personalização de ofertas e a operação de serviços digitais. Essa mudança, no entanto, depende da integração dos dados, da modernização dos sistemas e da ampliação da capacidade de processamento.
Para Sonia Agnese, analista sênior da Omdia, a indústria de telecomunicações chegou a um ponto de inflexão. A IA ganha espaço tanto como instrumento de eficiência operacional quanto como recurso para a criação de negócios. O desafio das empresas é combinar conectividade, dados, computação em nuvem e processamento para aumentar sua participação na cadeia digital.
Agentes de IA chegam a operações maduras
A adoção de agentes de IA já alcançou níveis avançados em algumas empresas brasileiras, de acordo com José Bueno, embaixador do TM Forum para a América Latina. O executivo tomou como referência o método utilizado pela entidade para medir a maturidade das operadoras, em uma escala de zero a cinco.
“A verdade é que já é uma realidade, porque, quando você olha o método de medição de maturidade de zero a cinco, hoje já tem várias empresas, inclusive aqui na nossa região, com nível quatro”, afirmou Bueno.
A evolução da automação exige padrões comuns, integração entre diferentes sistemas e regras para a governança dos dados. Também amplia a necessidade de capacidade computacional com baixa latência e mecanismos de segurança.
Além da inteligência artificial, a programação do Conecta Latam abordou monetização do 5G, hiperpersonalização de ofertas, redes privativas, satélites e energia. Os temas foram tratados como partes de uma mesma discussão sobre a infraestrutura necessária para sustentar novos serviços digitais.
Akamai prevê redução de custos na borda
Uma das alternativas apresentadas no evento foi aproximar dos usuários a inferência, etapa na qual os modelos de IA processam as solicitações e geram respostas depois de treinados. A estratégia utiliza infraestrutura distribuída e GPUs instaladas mais perto de onde as aplicações são consumidas.
Fábio Tironi, country manager da Akamai no Brasil, disse que a empresa trabalha com a Nvidia e concentra sua atuação no processamento da inferência. Segundo ele, a distribuição da capacidade computacional pode melhorar o desempenho das aplicações e reduzir os custos associados ao uso dos modelos.
“A gente prevê uma redução entre 40% e 70%, dependendo do modelo que você utiliza, levando isso mais perto do usuário”, afirmou Tironi.
Na avaliação do executivo, a instalação de GPUs mais próximas do usuário final pode tornar mais eficiente o consumo das aplicações de IA. O percentual apresentado varia conforme o modelo utilizado e a arquitetura adotada.
As discussões do Conecta Latam indicaram que a próxima etapa para o setor será converter automação, dados e infraestrutura distribuída em ganhos operacionais e serviços capazes de gerar receitas. Para isso, as operadoras precisarão avançar na integração dos sistemas e na aplicação da IA diretamente sobre suas redes.
Fonte: Tele.Síntese (24/08/2026)
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