Vivo planeja acelerar venda de cobre de rede antiga e levantar cerca de R$ 3 bilhões
Companhia espera reforçar o processo de venda de ativos legados a partir do segundo semestre deste ano, que inclui também a venda de imóveis; analistas do Safra estimam que o volume de cobre pode chegar a 120.000 toneladas
A Vivo tem um estoque de cobre na rede subterrânea e aérea de telefonia fixa, construído ao longo de décadas, que agora tem o potencial ser usado pela operadora de telefonia para reforçar sua posição financeira.
A expectativa da companhia, controlada pelo grupo espanhol Telefónica, é reforçar as operações de venda do cobre a partir do segundo semestre de 2026, em um processo que se estenderia até 2028, e que poderia render um total de aproximadamente R$ 3 bilhões, segundo a empresa.
O cobre extraído da infraestrutura obsoleta tem potencial de liberar caixa para sustentar a distribuição de dividendos nos próximos anos, de acordo com analistas.
Segundo análise publicada em relatório do Banco Safra, o banco estima que o volume de cobre chegaria a 120.000 toneladas, embora o número possa oscilar em razão da deterioração do material e de furtos.
Parte do cobre está espalhada por milhares de quilômetros de rede subterrânea e aérea, sujeita a décadas de desgaste e ao crime organizado, que historicamente explora esse tipo de infraestrutura.
Em nota distribuída a investidores institucionais, assinada pelos analistas Silvio Dória e Carolina Carneiro, o Safra não estimou o valor do ativo de cobre. Às cotações atuais da LME (London Metal Exchange), o volume bruto poderia alcançar R$ 7,9 bilhões.
Com o preço médio projetado por analistas para 2026, de US$ 10.500 por tonelada, o potencial cairia para cerca de R$ 6,5 bilhões, sem descontar os custos de extração. Escalonado em três anos, o valor representaria cerca de R$ 2 bilhões anuais.
A monetização da rede obsoleta faz parte de uma estratégia mais ampla. A Vivo opera desde 2026 sob um novo regime regulatório de autorização de telefonia fixa, que substitui o modelo de concessão anterior e permite à empresa desfazer ativos legados com mais liberdade.
A venda de imóveis também está prevista, embora o Safra avise que essa receita deve ser volátil, variando trimestre a trimestre conforme as condições do mercado imobiliário.
A estimativa da Vivo é de uma monetização dos ativos de cerca de R$ 4,5 bilhões, sendo R$ 3 bilhões da venda de cobre e R$ 1,5 bilhão pela comercialização de imóveis.
No quarto trimestre do ano passado, a companhia registrou R$ 102,1 milhões em benefícios com a venda de ativos relacionados à migração da concessão para autorização, sendo R$ 96 milhões em cobre e R$ 6 milhões em imóveis.
Fonte: Bloomberg (24/02/2026)
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