A Telefônica Brasil não tem interesse em participar do leilão da fatia de 27,26% que a Oi detém no capital da empresa de rede neutra V.tal, informou Christian Gebara, diretor-presidente da operadora espanhola no país, ao Valor. O certame está marcado para 5 de março, dentro do processo de recuperação judicial da Oi.
“Hoje eu não tenho interesse na participação desse leilão, não, porque [...] não tem sentido estratégico você ser minoritário numa empresa de infraestrutura”, justificou o executivo.
A Oi estimou em R$ 12,3 bilhões o valor de sua participação acionária na V.tal, empresa controlada por fundos do BTG Pactual. Redes neutras são aquelas que podem ser alugadas por qualquer operadora ou provedor, de forma isonômica.
FiBrasil
A compra pela Telefônica da fatia que o fundo canadense de pensão CDPQ detinha na FiBrasil — concretizada no fim de 2025 — pode ajudar a operadora dona da Vivo a ampliar sua penetração no mercado de banda larga fixa, acredita Gebara. O CDPQ vendeu por R$ 850 milhões a participação de 50% que possuía na empresa de rede neutra FiBrasil, na qual tinha a Telefônica Brasil e a espanhola Telefónica Infra como sócias.
“Eu tenho a expectativa, sim, de conseguir penetrar mais nessa rede, mas não é uma mudança radical do que eu tinha antes”, disse Gebara ao Valor.
De acordo com ele, na rede da FiBrasil, a penetração — medida pelo número de domicílios efetivamente conectados à rede sobre o total de residências em que o serviço está disponível para ser contratado — alcançava um nível próximo a 16%. Já no caso da Telefônica Brasil, esse percentual estava acima de 22%.
“Talvez [a nova configuração] me dê ainda muito mais agilidade para tomar decisões e fazer os movimentos, inclusive tendo uma única conta de resultados desde o cliente final até a construção da rede. E, com isso, poder aumentar a penetração”, argumentou.
Em vez de se envolver numa guerra de preços no mercado de banda larga fixa, a Telefônica Brasil está — diz Gebara — concentrada em rentabilizar sua base de 7,8 milhões de assinantes de banda larga via fibra óptica a partir da venda de mais serviços aos usuários.
“Cada vez mais eu quero vender mais serviços para o mesmo cliente”, resumiu o diretor-presidente da operadora. Segundo o executivo, o esforço para rentabilizar a base — não só na fibra mas também em outras vertentes de negócios — ampliou nos últimos trimestres a receita média por CPF calculada pela Telefônica no segmento de B2C (cliente final). O indicador alcançou o patamar de R$ 65,8 em 2025, ante R$ 62,3 em 2024.
Perguntado a respeito do efeito da competição sobre os preços da banda larga fixa, Gebara sustenta que a Telefônica não está sujeita às mesmas pressões que os provedores de acesso voltados apenas para a venda de conectividade: “Eu vendo fibra com Netflix, com Amazon [Prime], com wi-fi 7, com IPTV [televisão via internet], com [telefonia] móvel mais o seguro. O que estou olhando mais aqui é minha capacidade de monetizar minha base. Olhar o Arpu [receita média por usuário] de fibra de maneira individualizada quando cada vez mais eu vendo [serviços] em convergência, [...] fica menos relevante do que para uma empresa que só vende fibra.”
O diretor-presidente ressalta que, apesar da pressão no sentido de redução de preços gerada pela competição, não é possível imaginar uma estabilidade no valor das assinaturas. “Não dá para a gente ficar estagnado nesse preço sendo que nós temos inflação nesse país. O que eu chamo a atenção, é que num mercado como o nosso, [...] a evolução de ganho líquido de grandes ‘players’, em muitos casos, é muito negativa”, acrescenta o executivo, numa referência às adições líquidas negativas registradas por muitas operadoras no ano passado. Adições líquidas são a diferença entre o número de adesões e cancelamentos de um serviço.
Em 2025, a Telefônica adicionou 833 mil novos clientes ao seu serviço de FTTH (fibra óptica até a casa do cliente).
Fonte: Valor (23/02/2026)
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