quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Fundos de Pensão de estatais: TCU muda regra de paridade em fundos patrocinados por estatais



O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu rever entendimento firmado há duas décadas sobre a aplicação da regra de paridade contributiva em planos de previdência complementar patrocinados por entes públicos. Em sessão do plenário, sob relatoria do ministro João Augusto Ribeiro Nardes, a Corte considerou superado o entendimento fixado no Acórdão 169/2005 e passou a reconhecer que, para fins de paridade constitucional, devem ser consideradas não apenas as contribuições de participantes ativos e assistidos, mas também as de beneficiários, como pensionistas. 

A decisão foi tomada no julgamento de pedido de reexame apresentado pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), patrocinadora do Plano de Benefícios Portus 1 (PBP1), administrado pelo Portus Instituto de Seguridade Social. O processo teve origem em auditoria do próprio TCU que, com base no entendimento firmado no Acórdão 169, determinou em 2014 que a Codeba cessasse os pagamentos das contribuições paritárias sobre benefícios de pensionistas. 

Ao reformar agora essa posição, o Tribunal passou a admitir que as contribuições de ativos, assistidos e beneficiários sejam somadas para efeito do limite constitucional de aporte do patrocinador público, previsto no artigo 202 parágrafo 3º da Constituição, e na Lei Complementar 108/2001. 

Na prática, a decisão amplia a base considerada para cálculo da paridade contributiva e pode ampliar o espaço de aporte patronal dentro do limite constitucional. Especialistas apontam que o impacto tende a ser mais relevante em planos maduros — com grande proporção de assistidos e pensionistas — nos quais a base contributiva ativa é reduzida. 

O TCU comunicou a nova orientação à Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), ao Ministério da Previdência Social e a órgãos de governança das estatais. A decisão uniformiza a interpretação sobre a paridade contributiva e encerra controvérsia que vinha sendo discutida desde 2005 e que ganhou destaque no caso do Portus.

Fonte: Invest. Institucional (24/02/2026)

Nota da Redação:  Na prática as estatais contribuirão mais ao plano.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"Este blog não se responsabiliza pelos comentários emitidos pelos leitores, mesmo anônimos, e DESTACAMOS que os IPs de origem dos possíveis comentários OFENSIVOS ficam disponíveis nos servidores do Google/ Blogger para eventuais demandas judiciais ou policiais".