quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

TIC: Sindicatos e Federações de telecom acusam gestão judicial da Oi de inércia com 'patrimônio negligenciado'

 


Futuro turbulento para a Oi

As federações sindicais do setor de telecomunicações (Fenattel, Fitratelp e FITT/Livre) publicaram uma carta aberta onde acusam a gestão judicial da Oi de negligenciar ativos e de realizar uma gestão temerária de pessoal. Os sindicatos também defenderam a criação de um plano para sobrevivência da unidade de serviços corporativos Oi Soluções.

"As entidades sindicais, legítimas representantes de milhares de empregados das respectivas empresas, exigem que os Administradores Judiciais Sr. Bruno Rezende e Sra. Tatiana Binato apresentem um plano estruturado a respeito de suas intenções para com as empresas Oi S/A, Serede e Tahto", diz a carta das federações, datada de 19 de fevereiro.

A falência não pode ser um salvo-conduto para o desperdício de patrimônio, o desrespeito ao trabalhador ou até mesmo vontade pessoal que não condizem [sic] com a grandeza e o potencial da Oi. Exigimos diligência com todos os bens da Oi, que são ativos preciosos para que se possa dar continuidade ou até mesmo garantir que cada trabalhador receba o que lhe é de direito", afirma a entidade.

Para o trio, a operadora em recuperação judicial atravessa momento de patrimônio negligenciado e de "inércia" da administração. "Diferente do cenário de escassez absoluta propagado, o Grupo Oi detém infraestrutura massiva que poderia ter sido convertida em liquidez para honrar compromissos trabalhistas e operacionais".

Na carta, os sindicatos calculam (com base em informações da tele e próprias) que a Oi possua:

  • 11.573 km de dutos remanescentes (base em março/24);
  • infraestrutura aérea com 105 mil km de rede instalada nas 20 maiores cidades de cada unidade da federação;
  • e ativos físicos como 22.526 postes próprios, além de uma base histórica de 350 postos de serviços (PS) em 200 municípios.

"É inaceitável que a administração declare desconhecer informações sobre redes em condomínios, hotéis ou o potencial de repetidoras", disparam as federações. Outros ativos que não estariam sendo encarados da forma adequada seriam o cobre das redes legadas da Oi, bens imóveis não reversíveis, depósitos recursais e créditos judiciais.

"Há de se considerar ainda a fatia relevante de 27,26% (até início de 2026) de participação da Oi S/A na V.tal, além dos milhares de imóveis, que em uma análise simplista, certamente ultrapassam os R$ 12,3 bilhões", seguem os sindicatos. A fatia da Oi na V.tal está em processo de alienação judicial, com audiência marcada para março.

Futuro da Oi Soluções

As federações sindicais também reforçaram o coro por uma "transição coerente" que garanta a sobrevivência da Oi Soluções, unidade de serviços corporativos da tele.

"A estrutura de clientes estratégicos atendidos pelo Oi Soluções é um outro fator relevante que não está tendo a atenção devida, impactando na perda de profissionais altamente qualificados, além de clientes que, não vendo nenhuma iniciativa de continuidade da empresa, já começam a buscar outras alternativas", lamentam os sindicatos.

Para que a empresa sobreviva, as federações defendem uma gestão que priorize "soluções práticas", usando a infraestrutura aérea e logística remanescente para gerar receitas em novos mercados – como manutenção predial e a prestação de serviços para provedores regionais (ISPs).

No fim do ano passado, a Oi Soluções possuía cerca 4,6 mil contratos com diferentes esferas do Poder Público e mais de 10 mil contratos ativos entre empresas do setor privado. Há, contudo, uma transição em curso de serviços considerados essenciais. 

Trabalhadores

As federações também cobram maior clareza sobre o futuro dos trabalhadores da Oi. As federações relatam estar buscando a apresentação pela gestão judicial de um plano de demissão voluntária que permita a dispensa de forma ordenada e coerente "dos inúmeros empregados que atualmente estão sem nenhuma atividade".

"Os empregados vivem sob a angústia constante de que a Oi possa entrar em estado de falência, como aconteceu com a sua subsidiária Serede, onde a instabilidade jurídica impede o encerramento regular dos contratos de trabalho com o devido pagamento de seus direitos, trazendo um prejuízo imenso para centenas de empregados", lamentaram as federações.

A Oi está sob gestão judicial desde setembro de 2025, quando a então diretoria da empresa foi afastada pela 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Como gestor judicial da companhia está atuando o advogado Bruno Rezende, do Preserva-Ação.

Já a advogada Tatiana Binato é gestora judicial da subsidiária de call center Tahto e da empresa de serviços de campo Serede, esta última já em processo de liquidação. 

Fonte: TeleTime (23/02/2026)

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