terça-feira, 30 de março de 2021

TIC: Entenda o que é o 5G, 'pivô' da saída de Ernesto Araújo, e o que a China tem a ver com isso



Implementação da nova rede de internet foi uma das polêmicas da saída do ministro das Relações Exteriores

O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, deixou o cargo na tarde desta segunda-feira (29). A saída aconteceu após ele acusar, pelo Twitter, a senadora Kátia Abreu de fazer lobby para a China a favor do 5G ao invés de se preocupar com as vacinas contra o coronavírus. Mas, afinal, o que é o 5G e o que está envolvido nisso?

O 5G é uma nova tecnologia de transporte de dados em rede envolvendo dispositivos móveis. Trocando em miúdos: uma nova rede de internet para celular. A cada nova tecnologia implantada, a qualidade e velocidade do sinal melhoram (por isso o 4G é superior ao 3G e assim por diante).

Um dos grandes avanços trazido pelo 5G é que ele permite mais dispositivos conectados. Isso é importante porque resolve parcialmente alguns problemas como o "congestionamento da rede". Por exemplo: ao sair de um show, muitas pessoas tentam se conectar na internet para pedir um carro por aplicativo. A internet, então, tende a ficar sobrecarregada e mais lenta naquele local.

Essa nova rede ganha ainda mais importância em um cenário no qual, além de celulares, cada vez mais aparelhos estão conectados à internet. Afinal, em uma mesma casa podem haver smartphones, televisões, tablets e até assistentes virtuais como a Alexa conectados.

O 5G, portanto, tem mais capacidade para atender a todos esses aparelhos e tornar a conexão ainda mais rápida, permitindo que a troca de dados (como baixar um vídeo ou enviar arquivos) seja mais veloz e eficiente.

"Ela é uma nova rede para todos os serviços que as telecomunicações prestam, especialmente tráfico de dados, ou seja, de internet. Ela tem vantagens além da velocidade, como o tempo de resposta dela, que chamamos de latência. Pense que em algum momento começaremos a usar o o carro autônomo. Como ele é sem motorista e guiado à distância, ele tem que receber a resposta do que ele deve fazer muito rápido, em milésimos de segundos e os 5G vai permitir isso", explica o professor Arthur Barrionuevo Filho, professor da FGV EAESP.

Em que pé estamos? E o que a China tem a ver com isso?

Para implantar essa rede de tecnologia no Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) promove um leilão. Nele, as operadoras de telecomunicação (como a Claro, Vivo, Tim e Oi) disputam a compra de redes de radiofrequência, que são a base do funcionamento da internet móvel.

"Em telecomunicações móveis o bem mais precioso é a radiofrequência, que é um bem limitado. Para o 5G ser viabilizado, as operadoras de celular precisam ter acesso a essas radiofrequências. Então, o governo vai fazer uma licitação, um leilão, para vender o direito de uso delas", afirma o professor Barrinuevo. Ele explica que vários participantes podem adquirir as linhas, mas há um limite de quanto cada uma pode comprar.

No entanto, para oferecer o 5G para seus clientes, as operadoras precisam de equipamentos. E aí que a China entra na história. Segundo Barrinuevo, existem três principais empresas que têm esses equipamentos: a finlandesa Nokia, a sueca Erickson e a chinesa Huawei.

Alguns países como Estados Unidos, Reino Unido, Itália, França, Austrália, Nova Zelândia e Japão bloquearam a adesão ao 5G por meio de empresas chinesas. O principal argumento para isso é de que as companhias armazenam dados importantes dos usuários que poderiam servir de base para espionagem e ataques cibernéticos por parte do governo chinês.

A preocupação desses países seria uma suposta ligação entre a Huawei e o Partido Comunista Chinês, já que a companhia segue a Lei de Segurança Nacional Chinesa, que permite que o governo chinês acesse os dados coletados por ela.

"Quando o Brasil estava alinhado a Donald Trump, os brasileiros queriam fazer média com ele e seguir a política dele que era proibir a Huawei. Então, ela não poderia vender equipamento de 5G pra Vivo, Tim, Claro. É ilegal fazer isso, porque elas são empresas privadas e poderiam comprar de quem quisessem, mas a justificativa é segurança nacional. Porém, essa questão de espionagem é uma coisa que nunca foi provada", afirma o professor.

Pode haver, portanto, um lobby para proibir a Huawei de operar esses equipamentos e outro para permitir que ela os venda para as empresas de telefonia.

Fonte: Valor Investe (29/03/2021)

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