quinta-feira, 23 de abril de 2020

Fundos de Pensão: Previc analisa se grandes fundos de pensão têm liquidez para honrar compromissos sem precisar vender ativos agora



Setor avalia adoção de medidas para minimizar os impactos da crise do coronavírus à sua base de segurados, como o saque (resgate) de uma parte dos recursos

O Brasil tem cerca de 250 fundos de pensão, planos fechados de previdência complementar oferecidos por algumas empresas aos seus empregados. Juntas, essas entidades somam quase R$ 1 trilhão em investimentos no mercado, e pagam anualmente aproximadamente R$ 60 bilhões em benefícios para cerca de 860 mil aposentados (média de R$ 5,4 mil mensal / assistido).

Diante da intensa e veloz realização nos mercados com a disseminação do coronavírus, a primeira preocupação do órgão regulador do sistema da previdência complementar fechada, a Previc, foi em relação à liquidez dos fundos de pensão.

A autarquia buscou contato, em um primeiro momento, com as maiores fundações do país, como Previ, do Banco do Brasil, Petros, da Petrobras, e Funcef, da Caixa (que juntas somam cerca de R$ 365 bilhões em ativos), para entender se elas conseguiriam manter o fluxo de pagamento dos benefícios sem precisar vender ativos no curto prazo em um momento desfavorável do mercado, já que se tratam de investimentos com caráter de longo prazo.

“Esse não é um risco entre os fundos de pensão com que conversamos. Eles têm níveis de caixa suficientes para honrar seus compromissos”, afirmou Lucio Capeletto, superintendente da Previc, durante live promovida nesta quarta-feira (22) pela XP Investimentos.

Capeletto disse também que a Previc estuda permitir o saque de uma parte da poupança previdenciária como forma de atenuar os impactos da crise para os aposentados (sic, deveria ser participantes ativos). Na maior parte dos casos, o participante de um plano de um fundo de pensão só pode ter acesso aos recursos quando se aposenta ou quando decide sair do fundo antes do prazo inicialmente acordado. No entanto, a capacidade de liquidez de curto prazo do sistema tem sido avaliada antes que a decisão seja tomada.

Mudanças na direção do leme
Ajustes em caráter extraordinário nas políticas de investimentos, que as fundações elaboram todos os anos para nortear sua atuação no mercado, também devem ser autorizados diante do novo contexto.

“Por se tratar de um desenquadramento passivo, que ocorre quando a alocação determinada pela política em uma classe fica acima ou abaixo do previsto pelas flutuações do mercado, há o prazo de 720 dias para o reenquadramento”, disse Capeletto. “Contudo, ninguém gosta da situação de ficar desenquadrado com perspectivas tão diferentes daqui para frente.”

Também presentes na live, os consultores de investimentos Everaldo França, da PPS, e Guilherme Benites, da consultoria Aditus, sugeriram aos clientes fundos de pensão uma gradual recomposição da carteira de ações, que tiveram perdas similares ao tombo do mercado em março. Ambos ressaltaram, contudo, que percalços no meio do caminho não podem ser descartados.

“Uma leva de fundos foi reaberta para captação, o que pode facilitar a vida de fundações que querem aumentar a posição em renda variável com casas já conhecidas”, disse Benites, que destacou também as oportunidades que existem em títulos públicos e privados de renda fixa.

“O que ajudou a amenizar as perdas foram as posições em fundos de participações, de baixa liquidez, e que, portanto, não têm a remarcação diária das cotas”, afirmou França. A diversificação internacional foi outra opção lembrada pelo consultor da PPS. “Todas as Bolsas caíram, mas a intensidade da queda nos mercados desenvolvidos foi menor do que a observada localmente.”

Fonte: InfoMoney (22/04/2020)

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